São Paulo sem reunião

Você sabia que São Paulo é a origem e o destino da maioria dos passageiros do Brasil? Uma pesquisa realizada pela Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República sobre o perfil dos passageiros, aeroportos e rotas apontou Guarulhos e Congonhas entre os cinco aeroportos mais influentes do país. Entre os dados, o estudo revela que, em 2014, Guarulhos recebeu pessoas de 312 municípios e, Congonhas, de 205.

Muita gente passa diariamente pelos aeroportos da região da maior cidade do país. Porém, bastam alguns segundos de observação, durante um dia normal da semana, para perceber que as maletas executivas e mochilas de notebook dominam nas salas de embarque. Principalmente, no aeroporto de Congonhas, cujos vôos são domésticos, é nítido o fluxo de passageiros que estão viajando a negócios.

Congonhas
Aeroporto de Congonhas em um sábado: paz e tranquilidade

Mas, aonde queremos chegar com tudo isso? À constatação de que, apesar desses aeroportos estarem entre os mais movimentados do país, muita gente que chega a São Paulo não conhece São Paulo. E foi bem assim que, depois de passarmos por dezenas de conexões, reuniões, congressos e feiras, percebemos que nós também pouco (ou nada) conhecíamos da cidade.

 

Por que ir para São Paulo?

Bom, aí vai muito do gosto do freguês. Mas nós fomos lá para ter experiências multiculturais e multissensoriais que só uma das maiores cidades do mundo poderia oferecer. Museus incríveis, comida para todos os gostos e bolsos, feiras famosas, compras de qualquer coisa, metrô supereficiente para turistar, streetart, shows e festas para gregos, troianos e marcianos. Enfim, curtimos quase três por lá e não vemos a hora de termos outra oportunidade para voltar e voltar e voltar e voltar… Mas agora, vamos ao que interessa!

 

Onde ficar em São Paulo?

Antes de escolher um hotel, é importante analisar alguns pontos como: meios de transporte que serão utilizados, tempo de permanência e quais lugares serão visitados. Nossas pesquisas apontaram como melhores opções para nós a região da Av. Paulista e o bairro cool Vila Madalena. Mapeamos os lugares que gostaríamos de ir e percebemos que boa parte deles poderiam ser visitados a pé, se ficássemos na região do “coração econômico do Brasil”.  Ou seja, economia com transporte.

Optamos por um quarto privativo no hostel Lobo Urban Stay. A localização foi chiquérrima: em pleno Jardins! A rua Haddock Lobo cruza a Avenida Paulista bem próxima (mesmo) da estação de metrô Consolação.

Tem mercados, farmácias, padarias e qualquer serviço que precisar a menos de dez minutos de caminhada. O hostel tem um conceito diferente. É um ambiente mais intimista, sem festas ou muita interação com outros hóspedes e com os próprios donos. Ele foi montado em um casarão antigo e tem uma decoração de muito bom gosto. O quarto era básico, com cama, ventilador, mesa de trabalho, armário (!!) e chuveiro elétrico. Os pontos negativos vão para o colchão muito mole e um vão enorme na porta que passava luminosidade e barulho de outros hóspedes. De qualquer forma, foi um ótimo custo-benefício pra ficar nessa região.  A localização acertada fez toda a diferença na nossa viagem.

 

Nosso roteiro de três dias São Paulo:

 

Dia 1 – Sexta-feira

Chegamos ao aeroporto de Congonhas por volta das 9h30, pegamos um taxi e fomos direto para o hostel. A corrida custou cerca de R$30 e levou pouco mais de meia hora. O quarto já estava liberado e pudemos deixar nossas coisas e já partir para o tour na cidade grande!

– Avenida Paulista: Sabemos que era uma rua da nossa rota obrigatória, mas ela, por si só, já é um atrativo muito bacana. Aliás, as pessoas da avenida é que a fazem pulsante. Hippies artesãos, jovens em ascensão de carreira, executivos mais velhos, estudantes, artistas de rua, músicos, vendedores, pessoas que só querem um minutinho para preencher um cadastro com seus dados.

– Conjunto Nacional/ Livraria Cultura: Seguindo a Av. Paulista, nossa primeira parada foi no edifício icônico da arquitetura dos anos 50. Ele abriga, entre as lojas, a gigante Livraria Cultura, em seus mais de 4500 metros quadrados. Nunca vimos tantos guias e livros de viagens juntos! ❤ Ali estava, sem dúvida, a estante do mundo, dos nossos sonhos!

A livraria disponibiliza um ambiente tranquilo, cheio de pufes, cadeiras e bancos para quem quiser passar horas folheando os livros de seu acervo, trocando ideias ou, somente relaxando. Os preços não são o forte, mas a variedade é incrível. Ali neste mesmo edifício também existem alguns restaurantes e lanchonetes. Endereço: Avenida Paulista, 2073.

 

– MASP: Chegamos ao Museu de Arte de São Paulo antes das 13h. Isso foi ótimo, porque conseguimos visitar um dos melhores museus do Brasil praticamente sozinhos. Uma falha nossa foi não termos lido previamente a respeito do acervo do museu. Cada vez que nos deparávamos com obras de Renoir, Monet, Van Gogh, Goya, Velásquez, Cézanne era um susto (positivo, é claro). Sem falar nos brasileiros, como Anita Malfatti, Alfredo Volpi, Di Cavancalti e Cândido Portinari, este, para nós, a cereja do bolo. Estar frente a frente com o painel de Os Retirantes foi intenso e emocionante. Também tivemos o privilégio de visitarmos a exposição itinerante “Histórias da loucura”: cem desenhos feitos por internos do Hospital Psiquiátrico do Juquery, localizado em Franco da Rocha/ SP, que funcionou entre 1956 e 1970. Endereço: Avenida Paulista, 1578. Estação de metrô mais próxima: Trianon-MASP. Informações atualizadas sobre valores e horário de funcionamento, no site do museu.

– Museu do Futebol: Não importa se você odeia futebol ou se era sempre o último a ser escolhido na educação física: vá! Esse museu é simplesmente incrível. O valor da entrada (R$6) fica ridículo comparado a todas as possibilidades de visitação que ele oferece. Totalmente interativo, o museu é pautado por três focos: Emoção, História e Diversão.

Projetores exibem fotografias gigantes de ídolos como Pelé, Garrincha, Zico, Marta e Ronaldo. Ao longo da visita, narrações de jogos, hinos de torcida e vozes de jogadores estão sempre presentes. E, por falar em som, a parte que consideramos mais bacana foi vivenciar a experiência que os jogadores têm ao sair sob as arquibancadas em direção ao campo. É de arrepiar! Outra coisa muito legal é cobrar um pênalti em um campo com goleiro digital e medir a velocidade do chute. Como fomos à tarde, em um dia de semana, também estávamos sozinhos nessa parte e pudemos tentar várias vezes. Para chegar lá, é possível ir até a Estação das Clínicas e depois pegar um ônibus, conforme orientação do site do museu.

Museu do futebol

Nós estávamos em dúvida se tínhamos saído do lado certo da estação e acabamos contornando um cemitério e pegando um taxi até o Pacaembu. Custou cerca de R$12. Endereço: Praça Charles Miller. Mais informações, no site.

– Jantar indiano e caminhada noturna: À noite optamos por conhecer o Tandoor, restaurante indiano no Paraíso, ao lado do Jardins. Ambiente pequeno e muito aconchegante A comida é deliciosa e em porções bem honestas, sem falar nas opções de pães, que são maravilhosas. Só não recomendamos mesmo o refresco Sherbet para quem não é acostumado a beber leite de rosas sabores mais florais. 😛 Nós estávamos meio ~cheios~ e resolvemos dar uma caminhadinha antes de chamarmos um taxi de volta para o hostel. Só que a noite estava tão boa que acabamos fazendo os 3km de distância a pé, às 22h30, pela Alameda Santos e depois Avenida Paulista. E foi muito bacana curtir a cidade à noite dessa forma. Nos sentimos seguros o tempo todo, pois, como todos dizem, São Paulo não dorme, então tem muita gente na rua sempre.

Restaurante Tandoor

 

Dia 2 – Sábado                   

Uma das coisas que mais nos incomodam em uma viagem são as multidões e as filas. Por isso, sempre que possível, começamos nosso dia bem cedo e em São Paulo não foi diferente. Às 8h já estávamos em uma padaria na Av. Paulista tomando nosso cafezinho com pão na chapa para depois pegarmos o metrô rumo aos próximos destinos.

– Estação da Luz e Museu da Língua Portuguesa: Em dezembro de 2015, um incêndio na estação, que abrigava o Museu da Língua Portuguesa, destruiu parte do prédio. Nós tivemos a oportunidade de visitá-los antes e torcemos muito para que em breve consigam reconstruir toda a estrutura, pois era fantástica. Por sorte, o museu era completamente digital e interativo, dessa forma, o acervo foi preservado. De qualquer forma, a Estação da Luz é linda e ponto de partida para as próximas visitas.

 

– Pinacoteca: Atravessando a rua, bem ao lado do Parque da Luz e em frente à Estação, está a Pinacoteca de São Paulo em seu belíssimo prédio. Fundada em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, é o museu de arte mais antigo da cidade. O foco da Pinacoteca são as artes visuais, com ênfase na produção brasileira até a contemporaneidade. As salas são amplas, arejadas e bem iluminadas. A estrutura do prédio é adaptada a portadores de necessidades especiais, inclusive, oferece alternativas de visita para deficientes visuais. Anexo ao museu está um delicioso café, com vista para o parque. Ah, e aos sábados a entrada é gratuita.  Endereço: Praça da Luz, 02. Mais informações, no site.

Pinacoteca

– Rua José Paulino: Quem gosta de fazer compras, faça como a maioria das pessoas: leve uma mala de rodinhas. A rua José Paulino reúne lojas para todos os estilos a preços bem em conta. Principalmente quando você descobre que as roupas que vendem em outras lojas de “nome” foram compradas lá por menos da metade do preço. Por um acaso fomos parar nessa rua e só depois de estarmos nela é que percebemos onde estávamos. Como chegar: Saindo da Estação da Luz, vire à esquerda e ande alguns minutos. Siga a muvuca.

– Mercado Público Municipal: Aqui acredito que seja um dos lugares que menos precise de comentários. Sim, é lá que mora o famoso sanduíche de mortadela. Mas por lá também existem outros lanches deliciosos, como de carne de sol e pernil, sem falar nas esfihas e quibes, ervas, especiarias, frutas, doces, embutidos, grãos, enfim… Um mundo de sabores e aromas em um lugar só! Se você realmente desejar comer o sanduíche de mortadela, chegue cedo ou mais tarde. Na hora do almoço as mesas são disputadíssimas e o atendimento fica bem complicado. Para chegar lá, pegamos um taxi da região da rua José Paulino e, por cerca de R$15, chegamos ao mercadão. É bem possível ir a pé também, mas vai depender da disposição em andar pelo centro da cidade e driblar o trânsito intenso. Endereço: Rua Cantareira, 306.

– Noite de hambúrguer e passeio pelo Jardins: À noite fomos conhecer a famosa Lanchonete da Cidade, da Alameda Tietê, pertinho do nosso hostel.  Bom, sinceramente, em tempos de food trucks excelentes e hamburguerias novas a cada minuto, a LC decepcionou um pouco. O ambiente é ótimo e o atendimento foi impecável, mas esperávamos mais e, não esperávamos que o queijo fosse oferecido como opcional em alguns lanches. De lá, caminhamos a pé pelo bairro, seguindo pela rua Augusta.

 

Dia 3 – Domingo

No domingo nosso vôo era no fim da tarde, por isso nos organizarmos para aproveitarmos o dia da melhor forma possível. Fizemos check-out e deixamos nossas malas na recepção do hostel.

– Feira de Antiguidades do MASP e Parque Trianon: Aos domingos pela manhã acontece no térreo do MASP uma feira de antiguidades mantida pela Associação de Antiguidades do Estado de São Paulo. São expostos produtos como pratarias, moedas, joias, esculturas, câmeras fotográficas e livros. Imperdível para colecionadores, mas um programa muito legal também para leigos. Funciona das 10h às 17h. Do outro lado da rua, artesãos expõe no Parque Trianon.

– Feira da Liberdade: Logo ao sair da estação de metrô Liberdade, dezenas de barraquinhas de comida sugam a gente para dentro do bairro asiático de São Paulo. Não dá para dizer que é uma China Town paulistana, porque boa parte dos descendentes de imigrantes é japonesa, mas o clima é parecido. Yakissoba, tempurá, guioza, pasteizinhos, espetinhos de camarão, lula, bolinho de feijão azuki enfim, não dá pra passar fome por lá. Além da gastronomia, o comércio de artesanato e produtos típicos se destacam. Nós levamos uma bolsinha térmica para São Paulo especialmente para enchê-la na Liberdade! Endereço: Av. Liberdade, 365, ao lado da estação de metrô.

– Beco do Batman/ Vila Madalena: Numa viela cheia de curvas, chamada rua Gonçalo Afonso, está o famoso Beco do Batman. Praticamente todas as paredes estão grafitadas, por isso, ao caminhar por ali, é como passear em uma galeria de arte a céu aberto. É um passeio simples, mas muito interessante. Vale a pena também para quem gosta de fotografar. Tudo fica lindo por ali! Nós chegamos na Vila Madalena de metrô, pela estação de mesmo nome. Lá, pegamos um taxi para o Beco do Batman por cerca de R$8.

Beco do Batman

– Lá da Venda/ Vila Madalena: Encontramos nossos queridos amigos Renato, Sandra, Beta e Leandro para almoçarem conosco na Vila Madalena, antes de nos despedirmos da cidade. Almoçamos no Lá da Venda, eleito como o melhor “fazedor” de pães de queijo de São Paulo. O restaurante é lindo e as várias peças artesanais a venda também. O foco são produtos orgânicos e regionais, então o cardápio é enxuto, mas tudo o que comemos estava excelente. Mas, convenhamos, a soma “bairro cool + restaurante da moda + comida orgânica” não poderia ser baixa. Num almoço, um casal não conseguirá deixar menos de R$100 por lá.

La da Venda

Da Vila Madalena retornamos para o hostel e, de lá, fomos direto para o aeroporto. E assim chegou ao fim nossa primeira vez, a passeio, em São Paulo!

 

* Como andar de metrô em São Paulo

Sabemos que o trânsito de São Paulo assusta muita gente. Até por isso, muitos que estão por lá de carro, alugado ou próprio, não costumam se aventurar a conhecer melhor a cidade por medo de possíveis transtornos, como engarrafamentos, violência no trânsito e falta de vagas para estacionar. Por outro lado, também sabemos que existem aqueles que têm receio de andar de transporte público em grandes cidades brasileiras (como se metrô em Paris fosse muito mais cool, né haha).

O metrô de São Paulo é excelente e as linhas compreendem praticamente toda a região mais turística da cidade. As estações são, de forma geral, modernas, limpas e nos sentimos muito seguros. Sem dúvida nenhuma, é a melhor forma de passear de forma rápida, prática e barata.

Mapa metro Sao Paulo

O aplicativo e o site do Metrô de São Paulo ajudam a planejar os roteiros e indicam as melhores alternativas de trajeto. Basta selecionar o ponto de partida, o destino ou o ponto de interesse e eles apresentam a melhor linha. Não tem erro!

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4 comentários sobre “São Paulo sem reunião

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