Ouro Preto: dicas e roteiro

A pouco mais de 100km de Belo Horizonte, Ouro Preto parece uma pintura. Os casarões com suas portas e janelas coloridas são apaixonantes. As ruas de pedra-sabão, deslumbrantes. As igrejas dos escravos nos emocionam e, as dos “livres”, constrangem e impressionam.

Ouro Preto atrai turistas do mundo inteiro. Ao caminharmos pelas ladeiras, ouvimos guias explicando em inglês, francês, alemão e outros idiomas. E não seria para menos, a antiga capital mineira tem um dos maiores conjuntos arquitetônicos do barroco fora da Europa, além de ter sido a primeira cidade brasileira a ser declarada Patrimônio da Humanidade, pela Unesco, em 1980.

Ladeira de Ouro Preto

Para contemplar as riquezas de Ouro Preto, é necessário encarar um sobe-e-desce constante. Algumas subidas parecem escaladas e existem descidas que dão medo de perder o equilíbrio, virar uma cambalhota e sair rolando ladeira abaixo. Dizem que, somente a febre pelo ouro teria construído a cidade em um terreno tão montanhoso e acidentado.

Nós estivemos duas noites e um dia na cidade. Não visitamos todas as igrejas “obrigatórias” e também não conseguimos visitar todos os museus, mas conseguimos passar bastante pela cidade e ficar com aquele gostinho de quero mais.

Como contamos no post do nosso roteiro por Minas Gerais, fomos para Ouro Preto após visitarmos Inhotim.

Na estrada:

De Inhotim a Ouro Preto são cerca de 2h30, dependendo do caminho que for feito. O GPS nos indicou uma estrada do interior, com pouca sinalização, mas que acabou nos levando para a belíssima Serra do Rola Moça. De lá, logo caímos na BR 356, que nos levou ao destino final.

Porém, antes de chegarmos em Ouro Preto, programados duas paradas.

  • Mercearia Paraopeba (Itabirito – MG)

No caminho para Ouro Preto está Itabirito e, lá, a lendária Mercearia Paraopeba.

Doce de leite de todos os tipos, goiabada em todos os formatos. Infinitos tipos de queijos e feijões. Cachaças a perder de vista. Farinhas para qualquer farofa do mundo. A Mercearia Paraopeba é uma vendinha tradicional da cidade e não é exatamente um ponto turístico. O GPS leva direitinho, mas para enxergá-la, é preciso estar atento. A portinha escura que leva ao paraíso das delícias mineiras estava camuflada em meio a vassouras, sacos de mantimentos, ferramentas, buchas e outras muitas tralhas.

Recomendamos muito fazer esse pequeno desvio de percurso. É aquele tipo de mercearia que está em extinção. Quando chegamos, o proprietário nos recebeu com toda a simpatia e nos ofereceu tanta coisa para provar, que chegamos até a ficar com sede. Mas, sem problemas, já nos mandou uma Coca Cola bem geladinha para acompanhar o bolinho de feijão que estava recém-frito, ali na estufa.

Dica: Lá é um ótimo lugar para comprar presentes e já garantir iguarias mineiras a um bom preço.

Veja a matéria que o Globo Rural fez por lá, em 2010:

Endereço: Rua João Pessoa, 110, Centro, Itabirito/ MG.
Funcionamento: De segunda a sábado, das 7h30 às 20h. Aos domingos, funciona das 7h30 até as 12h.

  • Jeca Tatu

Pegando a BR 356 novamente, mas ainda em Itabirito, um ônibus jardineira se destaca, no lado direito da rodovia. Lá tem um dos pastéis de angu mais famosos da região e foi isso que nos levou até lá. Mal sabíamos que a o restaurante também é uma espécie de museu. São centenas de LPs, instrumentos musicais, aparelhos eletrônicos e outros artigos de decoração. Nada muito organizado e limpo, diga-se de passagem. Mas vale a parada para quem está passando por lá. Para acompanhar, pedimos um suco de milho que estava bem aguado, já o pastel, uma delícia.

jeca_tatu

Endereço: BR 356, km 45, Itabirito/ MG.

 

Nosso roteiro em Ouro Preto: 

Casarões de Ouro Preto

Chegamos no início da noite, exaustos. Então nosso passeio começou somente no dia seguinte.

  • Praça Tiradentes: Saímos cedo do hotel (por volta das 8h30) e fomos para a Praça Tiradentes fazer o reconhecimento da área. Existem totens de localização e a partir deste ponto fica mais fácil partir para os outros.

Praça Tiradentes e Museu da Inconfidência

  • Igreja Nossa Senhora do Carmo: Esta igreja está ao lado da praça (duas torres aparecem na foto acima) e foi construída já em estilo rococó – última fase do barroco. Por isso, é menos ornamentada com ouro, porém, é a única de MG com painéis de azulejos portugueses, na capela-mor. Infelizmente, estava acontecendo uma missa quando chegamos, então só pudemos olhar discretamente o interior, sem explorá-la.
  • Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia: Aqui a atração nem foi a igreja, porque estava fechada. Mas como ela fica no topo de uma ladeira, a vista para Ouro Preto é belíssima! Além disso, um muro largo, ao lado, vira vitrine para artesãos exporem seus trabalhos em uma feirinha que acontece por ali.

Vista para Ouro Preto

  • Igreja de São Francisco de Assis: Esta igreja também foi construída em estilo rococó, sem tanto ouro. Porém, em 2009, foi classificada como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo. Achamos realmente uma igreja maravilhosa e, como tem tantos guias lá dentro dando explicações, você acaba pegando carona. 😉

Igreja São Francisco de Assis-Ouro Preto

  • Feira de Artesanato: Logo na saída da igreja, no Largo de Coimbra, está uma feirinha de artesanato muito bacana, com foco em pedra-sabão. São esculturas, panelas, cumbucas, brinquedos e outros objetos esculpidos. Ali vale pechinchar bastante e fazer cara de quem sabe do que está falando.
  • Museu da Inconfidência: Depois da feira, voltamos para a Praça Tiradentes para visitar o Museu da Inconfidência. É proibido fotografar, então câmeras e mochilas ficam em guarda-volumes. O museu está instalado no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia e tem 16 salas temáticas. Lá, é possível encontrar objetivos originais do dia a dia dos moradores da antiga Vila Rica, como móveis, uniformes, vestidos, joias e livros. Infelizmente, também nos envergonhamos da nossa história de escravidão, quando podemos encontrar contratos de compra e venda de escravos, objetos para punição, cordas, algemas e outras coisas assombrosas do período. Lá, nos constrangemos pelas construções no cume dos morros, pelas estradas íngremes construídas em pedra-sabão e tudo o mais que, hoje, faz de Ouro Preto uma cidade bela, mas construída em cima de muito sangue, exploração e sofrimento.

Museu da Inconfidência Ouro Preto

  • Igreja Nossa Senhora do Pilar: Após a visita ao museu, fomos para a segunda igreja mais rica do Brasil. São mais de 400kg de ouro, que a tornam um dos exemplos máximos da arte barroca brasileira. Além disso, o teto foi pintado pelo pai de Aleijadinho e dizem que ele tem um efeito óptico (que nós não conseguimos perceber). Vale prestar atenção na figura do Cordeiro de Deus, no teto: um dos braços da cruz parece mudar de lado na medida em que você caminha. Lá, encontramos nossa amiga Rita e seu esposo, que já foi guia & coroinha. Ou seja, estávamos muito bem acompanhados! A igreja possui também um museu de Arte Sacra, então é bacana contar com um guia para explicar os detalhes a história dos objetos.
Igreja Nossa Senhora do Pilar Ouro Preto
Nossa amiga Rita, que nos guiou com seu marido pela igreja Nossa Senhora do Pilar
  • Estação Ferroviária: É de lá que sai o Trem da Vale, para Mariana. A estação é bem organizada e tem um coreto na frente que é uma graça. Não fizemos o passeio de trem, mas nesse link tem as informações importantes.

Vale lembrar que, para encontrar todos esses pontos, nos perdemos para valer e foi ótimo, exceto pela canseira do sobe-e-desce. Mas o melhor de Ouro Preto é intercalar uma atração com uma lojinha de artesanato, uma feirinha, uma pausa num boteco charmoso… E assim, conhecer, sem compromisso e sem querer, talvez a melhor parte de uma viagem: a vida real da cidade.

Praça Tiradentes

 

Onde se hospedar:

Como Ouro Preto se conhece a pé, é importante ficar próximo aos principais atrativos. Ou seja, a região da Praça Tiradentes é uma boa opção. Nós ficamos na rua Xavier da Veiga, a menos de 10 minutos da praça. A localização era excelente, por fugir do burburinho, sem ser afastada. Antes de reservar uma hospedagem, é importante verificar em sites como o TripAdvisor a opinião nos hóspedes que já passaram por lá e se o acesso é fácil. Afinal, depois de um dia inteiro subindo e descendo ruas, ninguém merece ter que ainda escalar um morro para descansar, certo?

Onde comer:

A rua Direita (Conde de Bobadela) é onde tem a maior concentração de bares e restaurantes. É uma rua muito legal para sair à noite e tem opções para todos os gostos. Em uma das noites jantamos no Restaurante Spaguetti e recomendamos. Os valores são normais, mas os pratos são muito bem servidos. Para um casal sem muita fome, vale até pedir somente um prato. Já para comer durante o dia, entre uma igreja e outra, recebemos uma dica de ouro de nossa amiga Rita. Entre a igreja Nossa Senhora do Pilar e a estação ferroviária está o restaurante self-service Tudo a Kilo (rua Diogo de Vasconcelos, 116). Comida caseira, bem feita, deliciosa e por um preço ótimo. Sem falar no buffet de sobremesas mineiras! 😉

Agora, antes de fechar nosso roteiro, é essencial fazer um parêntese para contextualizarmos o período que visitamos Ouro Preto.

Festa do 12

Todo feriado de 12 de outubro, ex-alunos da Universidade Federal de Ouro Preto retornam à cidade para festejarem nas repúblicas. É um momento para rever os amigo e integrar calouros e veteranos. Algumas colegas mineiras que conhecem bem o evento nos alertaram que a cidade estaria lotada e que as festas nas repúblicas não têm hora para começar e nem terminar. “Somos jovens” e “dormimos fácil em qualquer lugar”, nós pensamos…

Se alguém tiver a informação correta, por favor, nos informe nos comentários, mas pelo que pudemos estimar, Ouro Preto deve ter cerca de 715 mil repúblicas. 😛 Visitar Ouro Preto no feriado de 12 de outubro definitivamente não é para quem tem problemas para dormir.

Durante o dia não sentimos tanto a lotação da cidade, porque a maioria das pessoas ficava pelas repúblicas, não nos pontos turísticos. Os maiores transtornos foram no trânsito de carros, que ficava impossível naquelas ladeiras praticamente verticais e na hora de dormir. Ah, à noite os restaurantes também ficavam bem cheios, mas como a festa é tradicional, percebemos que estavam preparados para a muvuca.

Ladeiras Ouro Preto

Nós gostamos muito de Ouro Preto e conseguimos aproveitar tudo o que queríamos, mas, com certeza, a experiência teria sido melhor com a cidade um pouco mais tranquila. Porém, se, como nós, você só tem esse feriado para esta viagem, vá assim mesmo, mas esteja ciente da condição da cidade neste período.

De Ouro Preto, seguimos para Mariana e neste post você pode acompanhar nossa passagem por lá.

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2 comentários sobre “Ouro Preto: dicas e roteiro

  1. Ednir

    Parabéns pelos comentários e principalmente pelas belas fotos muito bem selecionadas. Algumas parecem pinturas, obras de arte!
    Minas Gerais é realmente um tesouro do patrimônio histórico!

    Curtir

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